⁠Amores Ofertados O cigarro lhe | O Poeta Tardio

⁠Amores Ofertados

O cigarro lhe queimava as pontas dos dedos
A bituca fumegava na noite escura
A fumaça ganhava o céu naquele inferno
A madrugada se aproximava, era inverno.

Na esquina quase escura, alguém surgiu
Passos lentos, caminhar sem brilho
Batom vermelho, silhueta em cifrão
Tão tarde, o preço baixo, amargo e cruel.

Sem glamour, sem luxo, sem perspectivas
Apenas amores em ofertas
Sem nome, sem futuro, só a rotina.