Tão abstrata é a idéia do teu ser | | Fernando Pessoa

Tão abstrata é a idéia do teu ser…

Dobre – Peguei no meu coração…

Quem te disse ao ouvido esse segredo…

Abdicação: Toma-me, ó noite eterna…

Dorme enquanto eu velo… deixa-me sonhar…

Põe as mãos nos ombros… beija-me na fronte…

Ao longe, ao luar, no rio uma vela…

Sonho. Não sei quem sou neste momento…

Contemplo o lago mudo que uma brisa estremece…

Gato que brincas na rua como se fose na cama…

Não: não digas nada!

Vaga, no azul amplo solta, vai uma nuvem errando…

O Andaime: O tempo que eu hei sonhado…

Sorriso audível das folhas…

Autopsicografia: O poeta é um fingidor…

O que me dói não é o que há no coração…

Entre o sono e o sonho…

Tudo o que faço ou medito fica sempre na metade.

Tenho tanto sentimento que…

Viajar! Perder países!

Grandes mistérios habitam o limiar do meu ser…

Fresta: Em meus momentos escuros…

Eros e Psique: Conta a lenda que dormia uma princesa…

Teus olhos entristecem. Nem ouves o que digo…

Liberdade: Ai que prazer não cumprir um dever…

Hora Absurda – O teu silêncio é uma nau…